Bear Market e Bull Market, o que significam e como afetam seus investimentos

Se você acompanha notícias financeiras americanas, inevitavelmente vai ouvir os termos “bear market” e “bull market”. São as duas expressões mais usadas para descrever os ciclos do mercado de ações, e entender o que cada um significa ajuda a tomar decisões mais racionais sobre investimentos, especialmente em momentos de volatilidade.

O que é bull market (mercado em alta)

Um bull market (mercado do touro) é um período de valorização sustentada dos mercados financeiros, geralmente definido como alta de 20% ou mais a partir de uma mínima recente, mantida por período prolongado.

Características de um bull market:

  • Preços de ações subindo de forma consistente
  • Confiança dos investidores alta
  • Economia em expansão, desemprego baixo
  • Empresas reportando lucros crescentes
  • Investidores dispostos a correr mais risco

O maior bull market da história americana durou de março de 2009 a fevereiro de 2020, com o S&P 500 valorizando mais de 400% nesse período.

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O que é bear market (mercado em baixa)

Um bear market (mercado do urso) é o oposto: queda de 20% ou mais a partir de uma máxima recente, com perspectiva pessimista sustentada.

Características de um bear market:

  • Preços de ações caindo consistentemente
  • Investidores pessimistas e avessos ao risco
  • Economia em desaceleração ou recessão
  • Desemprego em alta
  • Investidores migrando para ativos mais seguros (Treasuries, ouro, dólar)

Bear markets são normalmente mais curtos que bull markets: a duração média histórica é de 9 a 18 meses, comparado a bull markets que podem durar anos ou décadas.

A origem dos termos

A origem exata é disputada, mas a explicação mais aceita vem do comportamento dos animais:

  • Bull (touro): ataca de baixo para cima, chifre erguido. Representa mercado em alta, preços subindo.
  • Bear (urso): ataca de cima para baixo, pata abaixando. Representa mercado em queda, preços descendo.

Outra teoria relaciona “bear” ao comércio de peles de urso no século XVIII, quando vendedores vendiam peles que ainda não tinham, esperando comprá-las por menos depois. O equivalente moderno: venda a descoberto (short selling).

Como se comportar em cada fase

  • Em bull market: tendência de excesso de confiança. O risco é pagar caro demais por ativos supervalorizados. Mantenha a diversificação e não abandone a estratégia de longo prazo por ganhos de curto prazo.
  • Em bear market: tendência de pânico e venda em baixa, que é exatamente o que investidores de longo prazo não deveriam fazer. Bear markets são períodos de compra para quem tem horizonte longo e reserva de emergência sólida.
  • Dollar-cost averaging: a estratégia de investir valor fixo regularmente independente do momento de mercado é uma das mais eficientes historicamente para atravessar ambos os ciclos.
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FAQ

Quanto tempo dura um bear market em média?
Historicamente, bear markets no S&P 500 duraram em média 9,6 meses, com queda média de 36%. Os mais longos (como o de 2000 a 2002 após o estouro da bolha das ponto-com) duraram cerca de 2,5 anos. A recuperação para nova máxima leva em média 4 anos após o fundo do bear market.
Investidor brasileiro nos EUA deve se preocupar com bear markets americanos?
Se você investe em 401(k), IRA ou ETFs americanos, sim. Esses investimentos seguem os mercados americanos diretamente. A estratégia recomendada para investidores de longo prazo é manter aportes regulares e não vender em pânico durante quedas. Bear markets fazem parte do ciclo normal de investimentos.
O que é “correction” (correção) e é diferente de bear market?
Correção é uma queda de 10% a 20% a partir de uma máxima. Bear market começa a partir de 20% de queda. Correções são mais frequentes e menos graves que bear markets. O S&P 500 tem uma correção de 10%+ em média a cada 1 a 2 anos.

Leia também: 401(k) nos EUA · Imposto de renda nos EUA

Escrito por Edgard Junior, jornalista, especialista em marketing digital e morador dos Estados Unidos.

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