O Social Security é o maior programa de benefícios sociais dos Estados Unidos, um sistema de contribuição compulsória que financia aposentadoria, invalidez e benefícios para dependentes de trabalhadores mortos. Para brasileiros que trabalham legalmente nos EUA, é um dos temas financeiros mais importantes a entender, pois o desconto é significativo e os benefícios dependem de anos de contribuição acumulados.
O que é o Social Security e como funciona
O Social Security é administrado pela SSA (Social Security Administration) e financiado por contribuições compulsórias de trabalhadores e empregadores. O desconto aparece no holerite como FICA, Federal Insurance Contributions Act:
- Social Security tax: 6,2% do salário bruto (até o limite anual, US$ 168.600 em 2024)
- Medicare tax: 1,45% do salário bruto (sem limite)
- Empregador contribui igual: outros 7,65% por você, totalizando 15,3% do seu salário sendo destinado ao sistema
- Autônomo (self-employed): paga os dois lados, 15,3% do lucro líquido
Como funcionam os créditos do Social Security
Para ter direito a benefícios, você precisa acumular 40 créditos ao longo da vida, equivalente a 10 anos de trabalho contribuindo ao Social Security. Em 2024, cada US$ 1.730 de salário equivale a 1 crédito (máximo de 4 créditos por ano).
Com menos de 40 créditos, você não tem direito à aposentadoria pelo Social Security, mas contribuiu durante todo esse tempo de qualquer forma.
Quando você pode se aposentar pelo Social Security
- Aposentadoria antecipada: a partir dos 62 anos. Mas o benefício é permanentemente reduzido em até 30%.
- Full Retirement Age (FRA): entre 66 e 67 anos dependendo do ano de nascimento. Recebe 100% do benefício calculado.
- Aposentadoria atrasada: cada ano além do FRA aumenta o benefício em 8% ao ano, até os 70 anos.
O que brasileiros precisam saber sobre o Social Security
- Quem contribui: todo trabalhador com SSN (ou ITIN em alguns casos) que trabalha legalmente nos EUA, incluindo portadores de H-1B, L-1, green card e cidadãos
- Contribuição é compulsória: não é possível optar por não contribuir (exceto algumas categorias específicas como certos religiosos)
- Brasil e EUA não têm acordo de totalização: ao contrário de alguns países, contribuições ao INSS e ao Social Security não se somam. Você precisa de 40 créditos americanos para se aposentar pelo SS
- Portabilidade internacional: o benefício do Social Security pode ser recebido no Brasil após aposentadoria, com algumas exceções e verificações periódicas
Outros benefícios do Social Security
- SSDI (Disability): benefício por invalidez para quem tem créditos suficientes e se torna incapaz de trabalhar
- SSI (Supplemental Security Income): benefício para idosos, cegos ou deficientes com renda muito baixa, independente de créditos anteriores
- Benefício para dependentes: cônjuge e filhos menores do aposentado ou trabalhador falecido podem ter direito a benefícios derivados
FAQ, Perguntas frequentes sobre Social Security
- Brasileiro com green card tem direito ao Social Security?
- Sim, residentes permanentes contribuem ao Social Security como qualquer trabalhador americano e têm direito aos mesmos benefícios, desde que acumulem os 40 créditos necessários.
- Se eu voltar ao Brasil antes de acumular 40 créditos, perco tudo?
- Não perde definitivamente, os créditos ficam registrados. Se um dia você voltar a trabalhar legalmente nos EUA, continua de onde parou. Com menos de 40 créditos, simplesmente não terá direito à aposentadoria, mas os créditos não são cancelados.
- Como verificar minha conta do Social Security?
- Acesse ssa.gov e crie uma My Social Security account. Você pode ver seu histórico de contribuições, créditos acumulados e estimativa do benefício futuro baseado no seu histórico salarial.
- O Social Security é suficiente para se aposentar?
- Para a maioria das pessoas, não, o benefício médio do Social Security em 2024 é de cerca de US$ 1.800/mês. O sistema foi projetado como complemento, não como única fonte. Por isso americanos também contribuem para 401(k) e IRAs (contas de aposentadoria privadas).
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Escrito por Edgard Junior, jornalista, especialista em marketing digital e morador dos Estados Unidos.


